Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de setembro de 2018

Projeto em escola de Nova Santa Rita estimula a escrita com "WhatsApp analógico"

Iniciativa inspirada no aplicativo nasceu a partir do interesse dos alunos do município em trocar mensagens em sala de aula

Gauchazh - 11/09/2018

 

Félix Zucco / Agencia RBS

Desde o ano passado, uma vez por semana, os 105 alunos da Escola Municipal Ensino Fundamental Treze de Maio, na zona rural de Nova Santa Rita, divertem-se e aprendem com uma ideia de simples execução, mas que tem cativado a gurizada. 

O Projeto WhatsApp surgiu do interesse das crianças em trocarem bilhetes dentro da sala de aula – o que atrapalhava os ensinamentos. Com o planejamento coletivo dos professores, viu-se a oportunidade de criar uma caixa onde seriam colocadas as cartinhas e lidas em um momento específico.

Ansiosos e animados, os pequenos sentam em um círculo, como é realizado o projeto. Rayssa de Bárbara, oito anos, do 2° ano do Ensino Fundamental, conta que escreve cartas para as professoras e colegas:

– Eu gosto de participar, de escrever o bilhete. Fico ansiosa para os dias que brincamos. 
Félix Zucco / Agencia RBSKaio ganhou um "poemão" do amigoFélix Zucco / Agencia RBS

Miguel de Lima Dias, Kaio Soares, Pietro Souza e Gabriel de Lima Dias, todos de oito anos, também alunos do 2° ano, dão risadas enquanto a brincadeira acontece. Para eles, é divertido brincar com as rimas das palavras, mas não gostam de grandes textos. 

– Olha aqui o que Pietro fez pra mim, um poemão. Eu ainda estou aprendendo a ler, não sou muito bom da letra – diz Kaio, pedindo auxílio para a leitura. 

Entre os bilhetes recebidos pelos meninos, está a cartinha de Kauã Santos, que escreveu para o colega Miguel.

– Miguel, tu é muito legal e é o meu melhor amigo – lê Miguel, envergonhado e emocionado. 

Para as professoras, as cartas entregam convites – para almoços e lanches – e elogios. 

– Rima, rima, rima, essa professora é muito linda – lê uma das professoras, esboçando um grande sorriso para os alunos. 

Para Angélica Amorim, diretora da Treze de Maio, o projeto é um sucesso. Ela conta que as crianças trocam declarações entre colegas, turmas, funcionários e professores:

– Eles adoram receber mensagens e escrever, gostam quando a gente lê para todo mundo ouvir.  

Em casa, os pais percebem o entusiasmo dos pequenos com o projeto.

– O retorno é muito bacana, a gente vê os pais compartilhando e comentando. Eles enxergam e apoiam o entrosamento das crianças no projeto – conta Angélica.

Félix Zucco / Agencia RBSAbertura da caixa é momento de expectativaFélix Zucco / Agencia RBS

Pequenos protagonistas

Nos pequenos bilhetes, as crianças aprendem novas formas de escrita, como convites, poemas e breves textos. Para a coordenadora pedagógica da escola, Vera Regina Nunes, as crianças são as protagonistas do processo:

– Elas exercitam a leitura e a escrita correta. Focamos principalmente nos anos iniciais, que estão nesse processo de aprendizado.

Com uma metodologia simples, com uma caixa de papelão envelopada com o logotipo do WhatsApp, em uma espécie de urna, os recados são depositados. Eles são retirados por Vera, que chama o destinatário – que opta por ler ou não para os colegas. 

– Como o WhatsApp faz parte do cotidiano deles, porque os pais têm, as crianças têm o interesse por se comunicar. Então, usamos essa vontade pra trabalhar a escrita, a leitura, os gêneros textuais – afirma Vera.

Liberdade nas escolas

Na prefeitura, a ideia dos professores é elogiada e incentivada.

– O Projeto WhatsApp é visto como um fruto da liberdade que a gente vem dando para as escolas – afirma a secretária de Educação de Nova Santa Rita, Elaine da Rosa.

Segundo ela, o objetivo é que outras escolas também desenvolvam programas com o sentido de potencializar a questão cultural, os hábitos da leitura e da escrita. A secretária conta que em 2013 foi implantado na cidade o Tempo Leitura nas Escolas. Toda semana, nas quartas-feiras, os alunos devem ler por 50 minutos. Para ter sucesso, foram adquiridas várias obras, potencializando as bibliotecas e a vontade de ler dos estudantes.

– A 13 de Maio sempre motivou a leitura, a contação de histórias. Então, temos prazer de incentivar momentos assim – ressalta Elaine.

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