Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de outubro de 2018

‘Recordista’ em biblioteca pública, aposentado já leu 4.902 livros

Paula Sperb - 18/7/2018

Henrique Gentile Menezes consumiu, em média, 446 obras ao ano na última década. Entre seus preferidos, Balzac, Victor Hugo e Machado de Assis

Os óculos ficam estrategicamente posicionados ao lado dos livros, em uma prateleira da sala de um apartamento de classe média no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Todos os dias, o aposentado Henrique Gentile Menezes, de 74 anos, conta com a ajuda dessas lentes para poder enxergar melhor de perto durante sua atividade favorita: a leitura.

Porém, Menezes não é um leitor comum. Usuário assíduo da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, ele já retirou e leu 4.902 livros desde 2007, ano em que o sistema passou a ser informatizado. Ele é o leitor “recordista” da biblioteca – o segundo lugar retirou 1.217 obras. Como frequenta o local desde 1996, antes da informatização, o número de livros retirados por Menezes pode chegar a quase 10.000.

Na última década, ele leu, em média, 446 livros por ano. “Depende do número de páginas do livro. Se a obra tem 500 páginas, levo mais tempo. Mas se é um livro mais curto, de 300 páginas, leio em um dia”, contou Menezes a VEJA. Ele prefere livros de ficção, do gênero romance. “Se o narrador é em primeira pessoa, a leitura é mais fácil porque se apresenta em uma sequência mais lógica. Mas quando são vários narradores, exige mais atenção”, explica. Eventualmente, porém, lê também biografias e obras de filosofia.

 Os óculos utilizados para leitura e os livros mais recentes retirados por Menezes

Os óculos utilizados para leitura e os livros mais recentes retirados por Menezes (Paula Sperb/VEJA.com)

Uma pesquisa realizada pelo Observatório da Cultura, da prefeitura de Porto Alegre, mostrou que quase a metade dos moradores da cidade, 45,8%, estava sem ler um livro há pelo menos um ano. Do total dos 1.220 entrevistados, 8,5% nunca tinham lido um livro e 19,6% nunca estiveram em uma biblioteca. A pesquisa foi divulgada em 2015.

Nascido na capital gaúcha, filho de um pedreiro e de uma dona de casa, Menezes precisou abandonar a escola aos 12 anos por ordem da mãe. O garoto passou, então, a trabalhar para ajudar no orçamento da família. “Não recebi estímulo para leitura durante a infância”, relembra. Anos mais tarde, retornou aos bancos escolares para concluir os estudos, mas não chegou a cursar faculdade. Antes de se aposentar, trabalhou como comerciário.

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