Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de setembro de 2018

Projeto 'Museu de Rua' instala bibliotecas feitas com carcaça de micro-ondas pelas ruas de Niterói, no RJ

Matheus Rodrigues G1 10/06/2018

Usar a arte e educação como ferramentas para transformar o mundo e diminuir a violência. Esse é o objetivo do projeto “Museu de Rua”, que instalou mais de 20 bibliotecas populares em pontos de ônibus e pintou cerca de 420 postes de luz em bairros de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

“Eu acredito na melhoria da cidade e redução da criminalidade através desse projeto. Eu acho que desperta o bem no coração das pessoas. Essa é a intenção, essa é a missão. Eu penso que, através da arte e educação, é possível transformar o mundo”, disse a idealizadora da iniciativa.

O projeto começou há um mês através da artista Marina Antonioli, conhecida como Mirra. Ela contou ao G1 que a estrutura que sustenta os livros é feita com caixotes de madeira ou carcaças de micro-ondas. Além disso, a artista faz desenhos de flores em postes de luz para melhorar o ambiente urbano, o total ultrapassa a marca de 420 intervenções.

“Há um tempo, os museus eram destinados para uma classe social exclusiva que podia pagar para entrar. Hoje a arte está na rua e para todos. Então o projeto quer levar arte e educação para todos. Por isso o nome Museu de Rua”, explicou a artista.

A ideia surgiu após uma viagem para a Tailândia, onde Mirra fez um trabalho voluntário com familiares das vítimas do tsunami. A pintora resolveu espalhar sua arte pelas ruas da cidade por considerar o ambiente urbano muito pesado. O objetivo dela é criar um grande jardim no meio da imensa “selva de pedra”.

“Cada rua é uma flor diferente. A gente começou aqui na [Rua] Martins Torres fazendo orquídeas nos postes, onde a gente tem a sede da ONG Visão Verde (Viver). Eu comecei aqui e fomos expandindo: fiz na Rua Santa Rosa, apenas rosas. Na Rua Noronha Torrezão eu fiz dálias e na Avenida Roberto Silveira foram papoulas. Girassóis e Margaridas na Gavião Peixoto. O projeto vai expandir para outros bairros de Niterói”.

Disputa na Justiça e motivação para continuar
A ideia de fazer intervenções no espaço urbano começou há dois anos, quando um projeto de Mirra foi aprovado pela secretaria estadual de Cultura. Na época, um órgão da Prefeitura de Niterói proibiu a iniciativa, mas após uma disputada judicial a artista conseguiu o aval para continuar.

“Em 2016, a secretaria de Cultura do estado aprovou meu projeto para eu desenvolver em qualquer cidade. Eu escolhi o bairro da Boa Viagem, em Niterói, para desenvolver. Lá eu uni a pintura com a biblioteca. Só que destruíram, um órgão da prefeitura apagou e eu entrei com um processo no Ministério Público”, disse.

“No processo, a juíza ficou do meu lado e deu o caso a meu favor. Ela disse ainda para eu não desistir porque o mundo precisa de mais ações como essa. A voz dela ficou na minha mente durante um ano e eu resolvi voltar a pintar. Eu voltei com uma força inabalável agora, comecei a pintar muito”, completou.

Ao ser questionada sobre a reação da população sobre o Museu de Rua, Mirra disse que recebe a gratidão do público. Segundo ela, os moradores de Niterói agradecem pelo projeto e incentivam a continuidade.

“É gratidão o tempo inteiro que eu recebo. Esse é o pagamento que eu tenho, isso que motiva a gente. Não tenho fins lucrativos, é um trabalho humanitário. As pessoas se sentem gratas de ver um ambiente que estava ruim, sujo e abandonado e agora com uma flor. A flor nascendo do asfalto. A moral desse projeto é a esperança nascendo nas cidades grandes. Quando todos já perderam as esperanças dai nasce uma flor no asfalto, nasce a esperança”.

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