Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

12 de dezembro de 2017

Rogério: 'mais livros com personagens negros'

Na semana em que se comemorou o Dia da Consciência Negra, o escritor Rogério Andrade Barbosa, que acaba de mais um livro para discutir preconceitos, defende as políticas afirmativas na educação e na literatura e diz que, embora autores negros ainda sejam minoria, já há mais personagens negros na literatura brasileira.


1. Qual a importância das políticas públicas de educação que buscam assegurar a presença da cultura negra nas escolas?

As políticas públicas, de suma importância, são baseadas essencialmente na lei que obriga o ensino da história e da cultura africana em sala de aula. Mas, a meu ver, o foco principal deve ser voltado para a formação dos professores, pois boa parte deles não foram preparados para lidar com o assunto.


2. Na prática, a lei tem tido resultado eficaz?

Os efeitos da lei, de uma maneira geral, foram positivos.


3. Já é possivel dizer que a literatura negra e os autores negros já têm lugar assegurado no mercado editorial brasileiro?

Autores negros ainda são minoria, mas a produção de livros com personagens negros cresceu consideravelmente.


4. Como livros como esse seu mais recente, Beijados Pelo Sol, podem ser trabalhados na escola ajudar na luta com os preconceitos?

O livro infantil é como um espelho no qual a criança, não importa a sua etnia ou cor, precisa se ver refletida. Portanto, livros como o Beijados pelo Sol contribuem na luta contra preconceitos. No caso específico de meu livro, o protagonista é um menino negro portador de albinismo.


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Quando ser albino representa perigo de vida

A denúncia sobre a perseguição e agressões contra os negros portadores de albinismo em alguns países da África é o ponto de partida do livro Beijados pelo Sol, de Rogério Andrade Barbosa

Especialista em temáticas africanas, o escritor Rogério Andrade Barbosa escreveu “Beijados pelo Sol”, após conhecer o sofrimento dos portadores de albinismo na África, onde relatórios oficiais indicam 129 pessoas assassinadas e 181 mutiladas em 23 países daquele continente até 2014.

Barbosa visitava a África em busca de subsídios para outros trabalhos, quando se comoveu com a perseguição sofrida por crianças albinas, que têm partes do corpo retiradas e usadas em rituais de magia, cujos praticantes acreditam que o membro ou corpo de um albino, pode trazer força, sorte ou azar. A prática movimenta um comércio clandestino, no qual um membro pode custar 2 mil dólares e um corpo inteiro, 75 mil dólares.

No livro, Barbosa relata a história de um garoto, Kivuli, que nasceu com albinismo, no interior da Tanzânia, país com incidência de albinismo na África. Kivuli tentava entender a diferença com os amigos e sabia dos riscos que ele corria, até de morrer. Tudo, só porque era diferente dos outros. Ele se protegia do sol na sombra das árvores ao ir para escola, mas um dia foi sequestrado e levado para longe.

A narrativa do escritor presenteia o leitor com um ‘thriller’ de suspense, perseguições, fugas e superstições, num ritmo de aventura com a luta e fugas do herói juvenil para se libertar. Essa movimentação faz com que o leitor, especialmente o mais jovem -- alertado pela gravidade da denúncia e do perigo que envolve o personagem principal--- se prenda ainda mais ao livro, interessado no desfecho da história.

A ideia é fazer com que a história de Kivuli sensibilize e sirva de alerta e inspiração para as pessoas que lutam contra o preconceito e pela igualdade e respeito, mesmo para quem é diferente. No Brasil, por exemplo, onde é maioria, a população negra ainda sofre todo tipo de preconceito.

Na África, os portadores de albinismo, além das mutilações de mãos, pés, cabelo, olhos e outras partes do corpo, também sofrem com outros tipos de ataques e agressões menores, como o bullying, tipo de agressão que também é registrada em outros países e continentes.

As ilustrações são de John Kilaka, que nasceu e mora na Tanzânia e é um artista premiado na Europa e na África. Ele usa em sua arte a tradição da “tingatinga”, um estilo imortalizado por um artista da Tanzânia, para conferir um colorido especial às ilustrações.

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