Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de setembro de 2018

Que é ler? Por que ler?

Ary Carlos Moura Cardoso

"Meus filhos terão computadores, sim, mas, antes, terão livros."
Bill Gates

Ler é destas atividades imprescindíveis. De modo geral, todos leem.
Entretanto, aqui, me refiro a algo mais restrito: a leitura sob dois
aspectos (Compreensão/Interpretação) e porque devemos ler sempre. Neste
processo, o artefato central é o Livro.

Quando pensamos em Leitura, de modo algum, havemos de aceitar atitude de
pura descodificação. Do entretenimento ao tratado mais complexo,
precisamos fugir de uma espécie de “apagão” e nos lançarmos,
ativamente, à procura tanto do que o texto diz como do que ele nos diz. Ler
e não entender, afirma Adriana Natali, é chaga que afeta até a elite bem
formada do País. De modo que um comportamento linguístico adequado, a
partir, sem dúvida, dos objetivos do leitor, fundamentado em seus
conhecimentos linguísticos, enciclopédicos e interacional, passa pela
Compreensão. Por sua vez, ela exige respostas no que toca ao Assunto
tratado, à Tese ou ponto de vista defendido e, sobretudo, aos Argumentos
que procuram fundamentar a tese. Resolvida esta primeira etapa,
trabalharemos a mais complexa: a Interpretação, sintetizada na expressão
“o que digo ao texto”?

Ler, acima de tudo, é ousar trazer à luz sentidos a partir de um texto.
Nesta empreitada, o que nos desafia é interpretar sem cometermos ações,
digamos, criminosas significativas. Ora, jamais podemos dizer algo que dado
texto não nos possibilite dizer, é o que conhecemos por “arbitrariedade
interpretativa”. Há, portanto, limites neste processo. Linguagem que
signifique qualquer coisa é violência comunicativa. Umberto Eco nos
alerta: “existem interpretações clamorosamente inaceitáveis”. Toda
Leitura, portanto, é Radical – explicita os elementos conceituais -, é
Rigorosa – ocorre através de raciocínios lógicos, coerentes e coesos -,
é de Conjunto – relaciona a interpretação às várias facetas entre si.
Uma abordagem só estrutural ou só formal é tolice cognitiva, só
conteudística é gangorra ideológica. A pluralidade de leituras – que se
constrói tendo em vista o lugar social do leitor, seus conhecimentos,
valores e as próprias vivências -, não significa, consoante Harry G.
Frankfurt, abertura para a falação de merdas.

Por que ler? nos conduz a múltiplas respostas. Mestre Morais (A Arte de
Ler) nos instiga: “Lemos para saber, para compreender, para refletir.
Lemos pela beleza da linguagem, para a nossa emoção, para a nossa
perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a
sonhar. Lemos até para esquecer”. Digo, sem hesitar, que ler, de
primeiro, é Alimento. O sujeito Ledor amplia seus conhecimentos, sua
cultura, seu vocabulário, sua informação, aprimora a escrita, a memória.
Segundo pesquisas, diminui o

estresse e possibilita o acesso a empregos melhores. Agora, a maior razão
para lermos, consoante o exposto acima – Leitura Sistemática –, é
porque despedaçamos nossas ignorâncias, ingenuidades e nos tornamos

ruminadores Críticos, ou seja, rechaçamos aquilo que nos queiram impor
automaticamente. Pelo caminho da Leitura Crítica, nos tornamos íntimos de
jogos conceituais, dos conflitos e dos tantos paradoxos semânticos.

Na sociedade do espetáculo, amigo, prolifera o que linguistas classificam
de Aliteratura. No caso do Brasil, esse fenômeno sempre ultrapassou o
número de analfabetos. Creio mesmo ser ele nossa malária intelectual.
Enfim, acordemos, em todos os sentidos, para o adquirir Livros e para o
Saber Ler. Assim, nosso senso crítico se fortalece e nossa Consciência
Cidadã construirá uma Nação menos corrupta, menos superficial e mais
Autoconfiante.

*

Ary Carlos Moura Cardoso é professor da UFT

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