Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de julho de 2018

Livro, literatura, leitura e cultura

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal

O futuro é tão incerto quanto o transcurso da vida. Entretanto, alguns  planejamentos são cumpridos com sucesso; outros, nem atingem os primeiros objetivos. Não temos o controle sobre todas as coisas da vida, infelizmente. Não sei também do futuro, pois vivo “o e no” presente, compreendendo que viver é ter relações salutares, parcimoniosas e afetivas com família, poucos amigos (amigo é coisa raríssima) e pessoas que fazem parte do nosso cotidiano. É necessário também, pelo menos para mim, momentos de solidão (aqui, solidão tem
significado de estar só e bem consigo). Não há prazer maior de estar só, em ambiente silencioso, com a leitura. Os benefícios já foram provados, repassados por artigos, revistas especializadas ou em campanhas de leitura.

O ato efetivo de ler nos leva a outros mundos, colhidos da realidade circundante, para serem recriados artisticamente
pelo autor. Não tenho pretensão de ser “a disseminadora” dos inúmeros benefícios proporcionados pela leitura, para uma vida intelectual e emocional do ser humano, mas defensora ferrenha, em relação a políticas de incentivo à leitura, ao livro e à literatura, tão necessárias em nosso país. Outro ponto a ser frisado com insistência é que as Secretarias de Cultura deem mais atenção à literatura, à leitura e ao livro, proporcionando e planejando atividades específicas
em seus calendários culturais. Atualmente percebo certo desinteresse (talvez por falta de informação e/ou formação) em algumas gestões culturais, no planejamento de atividades e eventos relacionados a práticas de leitura. O que seria da música, do teatro, do cinema, da arte, se não fossem os textos? Caos, pois o homem, desde seu surgimento, necessita da linguagem para se comunicar.

A leitura é imprescindível numa sociedade que se define culta. É para isso que existem setores culturais, para formar Cidadãos Cultos; esse seria o sentido da existência de Secretarias e Ministério da Cultura.

Os benefícios da leitura são imensuráveis para o aprimoramento das ideias; de sua natureza emancipatória, que arranca o indivíduo da depressão, da falta de conhecimentos e de experiências, ampliando suas perspectivas e alargando seus horizontes. Ler leva o destinatário ao encontro com o autor, com a obra, com os personagens introjetados e
suas tensões vividas no transcurso da estória. Não chegaremos e nem daremos conta de ler todos os livros, mas ler é o início do caminho para o conhecimento.

Esses são alguns benefícios proporcionados pela prática contínua da leitura. Mas sabemos que toda a população (sem exclusão) não tem acesso aos livros; aqui não desprezamos a importância dos pontos de leitura criados e incrementados nos estados brasileiros, mas na implantação de acervo literário em casas que não têm livros; em lugares longínquos das cidades, dos centros culturais, como aldeias, vilas e áreas rurais, onde a escassez começa pela falta de estrutura
básica, como saúde, alimentação e escolarização.

Literatura é o centro da cultura, pelo menos deveria ser, mas
infelizmente, esse não é o pensamento da maioria das Secretarias de Cultura. O que é centralidade cultural para eles são shows, festas populares, cinemas, teatros, etc. (essas modalidades existem por causa da Literatura!) Nada contra os segmentos apontados, não tiro o mérito e reconheço a importância da existência deles para a cultura, mas
critico os altos investimentos destinados na realização de shows, de cinemas, de novelas, etc., comparando-se às ínfimas verbas destinadas ao livro, à literatura e às atividades de incentivo à leitura. Se nós, escritores, continuarmos também a aceitar a segregação de investimentos para determinadas modalidades culturais, seremos vencidos e quiçá abandonados nas prateleiras das bibliotecas públicas,
comunitárias ou nas estantes de casa. Ou quem sabe, colocarão fogo na maioria das bibliotecas? Ou, traçando um cenário mais apocalíptico ainda: livros virarão obras de museus, ficando expostos apenas para contemplação, pois leitor será subversivo, anárquico e preso, se ousar
“folhear” ou abrir um livro...

Deixemos o pesadelo de lado para cobrar das autoridades públicas mais investimentos e atividades para a leitura. Que todos tenham acesso ao livro sem distinção! Que a leitura seja vício, o maior vício de todos os tempos! É sonho, mas quem não vive com sonhos (e não de sonhos) fenece de amargura.

* Andreia Aparecida Silva Donadon Leal – Mestranda em Literatura- cultura e sociedade pela UFV

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