Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

21 de junho de 2018

Livros curam

Kennedy Martins

A biblioterapia é uma forma de psicoterapia de apoio na qual é sugerido ao paciente material de leitura cuidadosamente selecionado. A abordagem em Psicologia que mais utiliza a biblioterapia como recurso terapêutico é a Terapia Cognitivo-Comportamental, embora todas as outras escolas em Psicologia possam também fazer uso.

A biblioterapia tem sido utilizada em clínicas, hospitais, prisões, asilos, escolas, creches, empresas. É um recurso eficaz no desenvolvimento pessoal, interpessoal e no tratamento de problemas psicológicos em crianças, jovens, adultos, deficientes físicos, doentes crônicos e viciados.

Existem três tipos de literapia ou biblioterapia - termo mais utilizado: a de crescimento (cujo objetivo é divertir e educar), a factual (cujo objetivo é informar e preparar o paciente para o tratamento) e a imaginativa (cujo objetivo é explorar os sentimentos e tratar os problemas emocionais).

O princípio terapêutico é de que pensamentos e sentimentos estão interligados. Sendo que o primeiro tem uma certa ascendência sobre o segundo. Por isso, acredita-se que o processo de pensamento reflexivo estimulado pela leitura seja um prelúdio para a ação transformadora, modificando, por conseqüência, nossas reações emocionais. Quando mudamos o pensamento, ou seja, quando temos maior flexibilidade cognitiva, nossos sentimentos e emoções se estabilizam. Podemos dizer, portanto, que a depressão, por exemplo, não é uma disfunção emocional. A depressão é uma disfunção cognitiva. Normalmente, o depressivo interpreta a vida somente com uma visão altamente pessimista, destrutiva, calamitosa e sem saída, sentindo tristeza, desesperança etc. E, em realidade, a vida não tem somente este aspecto. Mudando esta formatação negativa do pensamento, enxergando outras opções de significados, passamos a ter emoções e sentimentos mais funcionais, que levam a uma melhor qualidade de vida.

A biblioterapia tem como principal objetivo permitir ao leitor verificar que há mais de uma solução para o seu problema.

Como recursos e benefícios terapêuticos, destacam-se:

- Aquisição de um conhecimento melhor de si mesmo e das reações dos outros, resultando em um melhor ajustamento à vida
- Introspecção para o crescimento emocional
- Ver objetivamente os problemas
- Afastar a sensação de isolamento
- Verificar falhas alheias semelhantes às suas
- Aferir valores
- Realizar movimentos criativos e estimular novos interesses
- Auxiliar o paciente a entender melhor suas reações psicológicas e físicas de frustração e conflito
- Ajudar o paciente a conversar sobre seus problemas, ajudando-o a verbalizar e exteriorizar suas angústias
- Favorecer a diminuição do conflito pelo aumento da auto-estima ao perceber que seu problema já foi vivido por outros
- Prestar auxílio ao paciente na análise do seu comportamento
- Proporcionar experiência ao leitor sem que o mesmo passe pelos perigos reais
- Reforçar padrões culturais e sociais aceitáveis
- Estimular a imaginação
- Aumentar a sensibilidade e a habilidade sociais
- Ajudar o indivíduo a se libertar dos medos, culpas e obsessões
- Proporcionar a sublimação por meio da catarse, e, levar o ser humano a um melhor entendimento de suas reações emocionais
- Prevenir o crescimento de tendências neuróticas
- Conduzir a uma melhor administração dos conflitos
- Proporcionar uma maior flexibilidade cognitiva, aumentando o horizonte de soluções e significados para seus acontecimentos

Talvez o único perigo que ocorra nas pessoas que se debruçam sobre um livro é a leitura de escape, na qual funciona como se fosse uma droga, aumentando o desejo de fugir da realidade, numa falsa imagem da vida, encontrada em certos tipos de literatura. Aqui existe uma polêmica que não é o nosso objetivo discutir.

Kennedy Martins é psicólogo.

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